REGISTROS FOTOGRÁFICOS

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6 de nov de 2014

Fernando Nascimento lança cordel que é uma verdadeira crônica popular da cidade


Curiosidades populares de Goiana
Autor: Fernando Nascimento

Eis as curiosidades
populares de Goiana
para o velho reviver
e o jovem achar bacana
como a vida é engraçada
cercada de mar e cana.

Um dia no cemitério
houve uma ressurreição,
um doido chegou defunto
estirado num caixão
mas, quando tiraram a tampa
ele deu um carreirão.

No antigo Cine Rex,
onde é o Polytheama,
tinha uma cadeira vaga
reservada à uma dama:
a velha Zefa Deão
amava filme de fama.

Um jornal chamado “O Sombra”
feito por quem não se sabe,
denunciava os podres
da nossa sociedade,
desde gaia e viadagem
a perda de virgindade.

Um cabra que se dizia
“vendedor de Sílvio Santos”
deu o “golpe do baú”,
levou a grana de tantos
que a cidade de Goiana
foi lesada em todo canto.

Onde é o posto dos Rabêlos
já caiu um avião
que fez da pista de carro
campo de aviação.
O bicho foi consertado
e voltou p'ro céu, então. 

O “Bêco das três viúvas”
é um bêco que não é,
a rua lá é tão larga
que cansa cruzar a pé.
Será que os três patetas
tiveram ali mulher?

O coveiro seu Hermínio
uma alma perseguiu
por dento do cemitério,
chão adentro ela sumiu.
Outro coveiro escutou
uma alma dar “psiu”.

Toda vez que tocam fogo
no grande canavial
os lençóis de cama ficam
pretos de cinza infernal,
as crianças adoecem
e lotam o hospital.

Era o maior desespero
quando um boi em disparada
fugia do matadouro
na frente da cachorrada,
pelas ruas da cidade
com sua corda arrastada.

O escritor Sidney Sheldon
na França já premiou
o goianense Altemar
que o mundo impressionou,
num concurso literário
que o rapaz arrebatou.

Em Goiana tinha um cabra
que deitou-se num caixão
e disse que ia ser 
carregado pelo Cão.
O seu nome era Heleno
mas, falhou a previsão.

Pra prefeito, o Frei Tarcísio
concorreu à eleição
ganhou em todas as urnas,
foi eleito, aí então,
juntou-se os derrotados
pra tomar no tapetão.

Na frente da Rodotur,
veja que coisa esquisita,
tinha um bar que era chamado
“Recanto dos Motoristas”,
onde se tomava uma
pra dar coragem na pista.

Aqui em Tejucupapo
fica a “Rua do Inferno”,
que homenageia o Cão,
pai do sofrimento eterno.
Lá o chão é quente que
não esfria no inverno.

Na frente da Faculdade
se encontra um orelhão
com dois palmos de altura
pra criança e pra anão.
Dizem que o anão Marquinhos
fez a reinvidicação.

Lá no Tôco tinha um bloco
chamado “Clube do rato”.
Dos blocos de carnaval
era o mais doido de fato,
cada um com gabirú
pegado em casa ou no mato.

Quer ver o “Bar da Farmácia”?
Vá no Pátio da Alvorada,
lá o paciente cura
seus males numa lapada.
Infelizmente a cirrose
é a cura mais procurada.

Goiana teve um artista
chamado Mário Pintor
que ficou cego da vista
e uma promessa pagou
pintando Santa Luzia
que a vista lhe restaurou.

No portão do Cemitério
ficava em pé um caixão
pra levar os indigentes
na boca do buracão.
Era o morto derramado,
e voltava pra posição.

A igreja, em Maravilhas,
é no estilo alemão,
com telhado colocado
numa grande inclinação
pra neve que nunca cai
se cair, descer pro chão.

Todos sonham em ter casa
bem de frente para o mar.
Em Goiana é diferente,
se você observar
os fundos ficam pra praia,
pro esgoto escoar.

Na cadeia tinha um guarda
com o nome de “Jesus”,
que na base do cacete
trouxe muito crime à luz.
Lá muito bandido ateu
deu grito de “ai, Jesus!”

Pras bandas da Boa Vista,
imagine a confusão,
a mulher foi na cozinha
pra fazer um macarrão
encontrou uma jibóia
na panela de pressão.

Tem uma rua em Goiana
chamada “Rua da Praia”
que é mais longe que o mar
que o Sertão do Himalaia.
Lá não tem um pé de côco
nem jangada que o valha.

Goiana teve um Xerife
chamado de “Garrafinha”
com seu fusca preto e branco
gritando uma sireninha.
O bandido perigoso
pra esse lado não vinha.

Aqui na Nova Goiana,
veja que coisa engraçada, 
pelo nome de artista
as ruas são nominadas
da rua Nelson Gonçalves
a rua Luiz Gonzaga.

O cabaré de Das Dores
é o mais velho da cidade,
por lá já passou avô,
pai e hoje a mocidade.
As meninas tem mantido
a hereditariedade.

Na praia Ponta de Pedras
fica o “Pau da mentira”,
bem debaixo d'uma árvore
onde o pescador cochila.
Lá gente que viu saguim
jura que viu um gorila.

Aqui Jackson do pandeiro
trabalhou parte da vida
na padaria que tem
por dono o seu Coquita.
De padeiro pro pandeiro
Jackson virou artista.

Tem o Bêco do Tanquinho,
do Mussú, Foice e Pavão,
da Gaia, Lama e Quelé,
do Cortume e Frutapão,
dos Matírios, da Cadeia
e Fundo da Mala, então.

E assim vou terminando
essas curiosidades,
umas boas, engraçadas,
outras de calamidades.
Viva o povo de Goiana!!!
Até quando, só Deus sabe.

Fim.

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Outros títulos do autor:

- Goiana Terra Adoidada
- Curiosidades Históricas de Goiana
- O Pioneirismo de Goiana
- A Desgraça do Peixe Elétrico em Goiana
- O Cacete de Mário Pintor com Lampião
- A Vingança Maldita
- O Enterro de Potó
- Um Matuto pelo Mundo
- A Briga de Jesus com os crentes
E outros.

Disponíveis na ‘Artesanato e Cordel’ na Rua da Baixinha, esquina com o Colégio José Pinto de Abreu.

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