REGISTROS FOTOGRÁFICOS

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17 de fev de 2017

Carnaval 2017: Estrutura do Galo da Madrugada pode desabar, afirma ex-escultor

Foto: Paulo Paiva (DP)
O artista plástico Sávio Araújo, que esteve à frente da confecção e montagem do Galo da Madrugada nos últimos sete anos, acredita que há irregularidades na estrutura gigante deste ano que podem acarretar um desabamento e afirmou que vai acionar a justiça porque estão "roubando" o seu trabalho. 

Ele deixou o projeto em 2017, depois de receber a proposta da Prefeitura do Recife de criar um galo completamente cinza para que grafiteiros terminassem a obra. O trabalho será assinado pelo apresentador e Flávio Barra numa decisão polêmica que movimentou a cena do graffiti na cidade.

De acordo com ele, a escultura - símbolo do maior bloco de carnaval do mundo, montada anualmente na Ponte Duarte Coelho - pode ruir ou ter peças desprendidas se não for montada adequadamente. "O Galo está sendo feito com tecidos. Esse tipo de procedimento não funciona, há vários casos Brasil afora que mostram estruturas que desabaram ou tiveram partes soltas, machucando as pessoas, por conta dessa técnica, que não possibilita que o vento passe", aponta ele. 

O suposto risco fez com que Sávio procurasse medidas legais: "Estou entrando com um processo como um cidadão pernambucano para embargar o Galo. Ele não está seguro para estar ali. Se o meu Galo estivesse no local, nada aconteceria com ele".

O artista plástico acredita, ainda, que a forma como a estrutura está sendo montada foi criada por ele e que a gestão municipal deveria pedir autorização para reproduzi-la. "Você pode fazer outro Galo, mas não no mesmo formato que eu uso. A técnica deles é idêntica à minha, já que eles tinham acesso e fotografaram tudo. Isso é roubo de propriedade intelectual. 

Não fui apenas o criador conceitual e artístico do Galo da Madrugada, mas também estrutural e logístico. Fui eu quem implantei o uso de guindastes na montagem", afirma. A Prefeitura do Recife afirma que só irá se pronunciar quando for legalmente notificada das ações do artista. 

Polêmica

A decisão da prefeitura de levar às ruas um Galo completamente grafitado suscitou polêmicas. O principal foco de críticas foi a escolha do artista responsável pelas artes, o jornalista e apresentador de TV Flávio Barra. O coletivo de grafitti recifense 33 Crew afirmou, em nota divulgada pelo Facebook, que a gestão "precisava estar diretamente envolvida com a cena local, procurar opinião de outrxs produtorxs, curadorxs e até artistas, a fim de fazer uma escolha mais legítima". 

"A escolha da prefeitura, obviamente, pode ser bem recebida pela maior parte do público folião, que, infelizmente, desconhece uma cena composta por grafiteirxs de todas as regiões de Pernambuco, que resistem em meio à falta de incentivo e valorização. 

Na nossa cidade, existem grandes referências que tentam sobreviver da sua arte, promovendo ações de impacto social. Apesar do esforço, ainda enfrentam dificuldades e sofrem com a marginalização e o preconceito", diz o texto. Sávio Araújo acredita que grafitar a estátua do mascote é uma técnica inviável, já que "obras de arte não têm espaços para grafitagem. Todo mundo sabe lugar de grafitti é em muros e tapumes".

Fonte: Diário de Pernambuco

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