6 de mai. de 2014

A compra de votos disfarçada através dos Programas de Transferência de renda

Nossa Colunista Maria Bethânia de Jesus nos fala hoje sobre a compra de votos disfarçada através dos Programas de Transferência de renda.




A compra de votos disfarçada através dos Programas de Transferência de renda


Maria Bethânia de Jesus 


Venho apresentar algumas reflexões acerca dos programas de transferência de renda, que considero mais que uma forma de assistencialismo da compra de votos, uma camuflagem que aliena o povo do nosso país, com valores que não ajudam na educação, saúde, alimentação e transporte, criando uma acomodação na vida dos beneficiários. Claro que, o governo não vai investir em uma educação 100% de qualidade, porque uma vez que a população torna-se informada e conhecedora do sistema governamental, não iria permitir tal acomodação. Para os líderes políticos, se tornam mais fáceis depósitos em contas de cidadãos, onde se ganha à dependência dos mesmos perante o seu governo, do que investir na infraestrutura, construção de indústrias, ofertas de trabalho e capacitação profissional, que além de muito trabalho tem-se o alto custo. Sem dúvida é bem mais fácil, distribuir mesadas. 


Hoje, em muitas famílias do nosso país, a única fonte de renda vem do programa, onde, até fazendo filhos se tornam beneficiários. Que governo é esse, que visualiza as questões sociais, as diversas formas de exclusão, a miserabilidade extrema em muitas regiões do Brasil e não investe seus recursos para transformar a vida dignamente do nosso povo? Ele sabe que uma família recebendo a metade de um salário, jamais sairá da linha de pobreza, miséria e carência. 

Compreendo que o trabalho não alienado dignifica o homem, esse trabalho certamente eleva a autoestima, cria e realiza sonhos, possibilita a construção de uma vida digna e dar condições de melhorias. De acordo com o socialista e pensador Karl Marx, através do trabalho o homem pode mudar e moldar a natureza, assim como a si próprio. Falo do trabalho que não causa o desprazer, aborrecimento, exploração da sua força, onde ele não cria pra si, parecendo máquina e não se torna alheio. Então porque não oferecer oportunidades de trabalho digno ao contrário da alienação política? 

O Governo precisa trabalhar a raiz das questões ou as suas causas profundas, no entanto, sei da impossibilidade de acontecimento, que esses fenômenos complexos como as desigualdades sociais, econômicas, a fome, a sede, a miséria, a exclusão social e a alienação política permanecerá, mas, essa é a minha reflexão, uma troca efetiva de ideias para contribuir no entendimento desse fato e futuras práticas no combate a pobreza e a alienação. Não se ganha respeito com medo de falar, se ganha respeito quando lutamos por nossos direitos, garantidos e instituídos em leis. Talvez, se falássemos hoje em término do Programa Bolsa Família, os beneficiários se enfureceriam, pois a ideia impregnada é de favor e não de direitos. Direitos negados a partir do momento que a família busca a inserção dentro do programa e são submetidos às inúmeras condicionalidades. Essas políticas sociais deveriam ser repensadas, pois o nosso país se encontra mergulhado em erros e as transformações são necessárias.

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