10 de nov. de 2014

Animações pernambucanas conquistam espaço na TV a cabo


Um “empurrão” para produções em animação na TV. É como os animadores e ilustradores enxergam a Lei 12.485/2011, responsável por regulamentar a obrigatoriedade de uma cota mínima de exibição de conteúdo nacional em canais de televisão por assinatura. Aos poucos, em Pernambuco, o gênero deixa de se concentrar no mercado publicitário ou no cinema e se solidifica na telinha. Um dos alvos são canais infantis como Discovery Kids, Cartoon Network e Disney Channel, sempre entre os cinco mais vistos no ranking de audiência. No cenário de “gigantes”, o Mundo Bita é o primeiro produto do estado a fazer sucesso.

O personagem Bita nasceu como uma ideia de um aplicativo, mas se expandiu em animação para a TV. Desenvolvido pela agência pernambucana Mr. Plot, o projeto, responsável até agora por dois interprogramas - Bita e os animais e Bita e as brincadeiras -, integra a grade do Discovery Kids desde outubro de 2013. Será estendido para o cinema em curta-metragem, previsto para fevereiro de 2015, cujo projeto foi aprovado no edital do Funcultura do ano passado. O produto servirá como piloto para uma série maior.

O desenho é apenas um símbolo da expansão, no estado, do mercado de animação para TV. Crescimento verificado apesar do alto custo e da demora no desenvolvimento dos produtos. Hoje, os projetos pernambucanos do gênero têm como denominador comum o formato: interprogramas (exibidos durante os intervalos), formados por cerca de dez episódios com média de três minutos de duração, com formatação para a televisão, internet e aplicativos. Por enquanto, o desenvolvimento de uma série de maior duração só aparece nas ideias por conta do orçamento expressivo de produção.

Um episódio com tempo de 15 minutos custa, em média, R$ 200 mil. “Os interprogramas, pela duração reduzida, permitem ter um produto final a um custo reduzido. A animação é um processo caro. A técnica que utilizamos, de stop-motion (animação quadro a quadro) e cut-out (por recortes), com sobreposição de camadas, é muito prazerosa, mas muito demorada”, esclarece Rui Mendonça, diretor da animação Lá vem, um dos projetos contemplados no Funcultura deste ano. O desenho levará dez meses para ficar pronto.

Nem sempre entrar no mercado é o objetivo de quem produz. “Apostamos por conta da influência da Galinha Pintadinha”, destaca o diretor de negócios da Mr. Plot, Felipe Almeida. O êxito, diz ele, foi ter iniciado um contrato com a Discovery Internacional. “Já começamos exportando conteúdo, com possibilidade de veiculação na América Latina”, observa. Para ele, o mercado atual cobra a produção contínua de conteúdo para garantir desdobramentos e licenciamentos.

Lançado em 2013, Bita e os animais custou cerca de R$ 300 mil. Segundo os responsáveis, não houve incentivo no início. Apenas investimento próprio. Além do Mundo Bita, outros interprogramas estão surgindo. A turma do Zé Alegria, da Viu Cine, e Lá vem, da Cabra Fulô, foram aprovados no edital do Funcultura deste ano. “O mercado de animação em Pernambuco ainda está engatinhando. Entendo ser um processo normal em um mercado audiovisual que, apenas recentemente, se voltou para a produção massiva. A animação era muito difícil de ser executada até alguns anos atrás. Hoje, com as novas tecnologias de softwares, se tornou mais fácil”, analisa Ulisses Brandão, produtor de A turma do Zé Alegria, adaptação do grupo de fantoche do jornalista Marcos Hele.

A série está garantida na grade da TVU. De acordo com ele, os novos cursos garantem o desenvolvimento de produção. “Antes, os animadores precisavam deixar o estado para trabalhar nas produtoras maiores em São Paulo e no Rio de Janeiro. Mas já há um movimento de volta dos talentos em boa parte por causa das produtoras pernambucanas que começam a produzir animação para o mercado”, justifica.

Os projetos // os desenhos animados com selo pernambucano
Mundo Bita
Após Bita e os animais, os idealizadores criaram o Mundo Bita para desenvolver mais projetos com o personagem. O segundo interprograma, Bita e as brincadeiras, também será exibido no Discovery Kids, ainda sem previsão. Já possui dois DVDs lançados, um CD, brinquedos infantis e mais de dez aplicativos. Já conta com adaptação para o teatro, com peça em cartaz em Curitiba, e espetáculo musical. “O negócio não se faz com a venda do conteúdo e, sim, com desdobramentos e licenciamentos. A TV dá a janela de exposição”, justifica Felipe, diretor de negócios.

A turma do Zé Alegria
Com lançamento previsto para dezembro, o projeto, cujo incentivo no Funcultura é de RS 80.969, é uma adaptação feita por Ulisses Brandão e pelo diretor do interprograma, Marcos França. A equipe é formada ainda por cinco pessoas, dois deles animadores. O desenho é ambientado na zona rural de uma cidade pernambucana para reforçar o conteúdo cultural, a tradição e a história do estado. “É uma série com a nossa cara e nosso sotaque”, ratifica Ulisses.

Lá vem
Diferentemente de Bita A turma do Zé Alegria, a animação é para jovens e adultos, da faixa dos 18 aos 35 anos. De acordo o diretor Rui Mendonça, o projeto propõe valorizar o imaginário popular nordestino, através de uma interpretação contemporânea. Os episódios começam a ser desenvolvidos em dezembro. No ano passado, a produtora Cabra Fulô desenvolveu vinhetas de animação para o Canal Brasil, reflexo da rodada de negociação do Market.Mov do ano passado. 

+ Números

Três meses
Tempo médio para fazer um episódio de Mundo Bita

15 milhões
Visualizações dos vídeos do canal Mundo Bita no YouTube

Dez meses
Média de produção do interprograma Lá vem

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